26/09/14

Amizade

Este tema para mim, desde pequena que tem sido dificil de definir. Recordo-me das minhas memórias mais antigas, as primeiras amigas que tive. Andava eu ainda na primária, quando, por alguma afinidade eu me aproximava de alguma menina que a meu ver eu sentia alguma empatia. Por norma eu procurava as mais sossegadas, ou as que via que mais ninguém queria ser amigo. Eu, não sei se era por me sentir inibida, mas, não me juntava a quem fosse demasiado alegre, destemido ou muito confiante. Sentia-me demasiado pequena e considerava-me desinteressante para tentar sequer amizade com miúdos assim, pois, a meu ver, à partida nem sequer iriam querer-me por perto.
Mas, a verdade é que quando estava com as meninas em que mais ninguém queria ser amigo, eu com elas, revelava-me de uma forma que me sentia a brilhar, eu dava tudo de mim, de uma maneira que jamais nunca ninguém via, eu sentia que era o porto seguro delas, manifestava o meu humor, o meu carinho, era como se precisasse delas para finalmente ser EU. Com elas eu podia! Porque no meu entendimento, eu teria de dar o meu melhor para não só me sentir bem, mas, também fazer com elas se sentissem bem...
Com tristeza sonhava um dia poder vir a ser segura de mim mesma, destemida, brincalhona, a fazer travessuras...mas, nunca fui capaz. Como os admirava! Via esses miúdos muito mais seguros de si, confiantes. Sempre fui muito introspectiva, observava à distância o comportamento dos outros, tentava perceber o ser de cada um, como um estudo da natureza humana se tratasse. 
Lembro-me que chorava muito, pois, não era compreendida, isolova-me...
Mas, guardava no meu coração a quem eu verdadeiramente gostasse com muito amor, e mais uma vez, recordo-me de chorar porque não entendiam o que eu sentia por eles.
Na adolescência, a carga emocional estancou, e permiti a mim mesma, maior leveza nas amizades, permiti procurar os mais divertidos, pois, percebi que me faria bem rodear-me de pessoas diferentes de mim. 
Continuo a ter lacunas sobre o meu comportamento como amiga, muitas vezes movido por um isolamento e momentos nostálgicos que nem sempre permitem ter vontade de estar com amigos. 
Mas, devo confessar, que só este ano, estou finalmente a deixar entrar em mim o verdadeiro significado, aquele que para mim, realmente faz sentido para a palavra amizade. Que é, o que me tenho vindo a identificar, tem de haver afecto, honestidade, ajuda, assumir quando não se está bem, o estar quando é preciso e algo que já incluo como fundamental, haver bom humor! Feliz de mim, que tenho quem me faça ver o que é ser Amigo...Apesar de ser bom, não deixo de ficar triste a pensar, caramba, tanto tempo, tantos anos...com medo de me dar, com medo de SER. 

Até à próxima

2 comentários:

Esmeralda Martins disse...

A amizade é contínua, ainda que espaçada por momentos de isolamento, nossos e de quem somos amigos.
Gostei de te ler, de novo!
Mimos ;)

Fátima Santos disse...

Muito obrigada! :)