16/10/14

Por terras beirãs

Estive 2 dias fora de Lisboa, fui sozinha pela primeira vez à terra do meu pai. Dois dias chuvosos, dois dias de muitas caminhadas, dois dias de muito sentimento, dois dias dedicados a muita cultura e aprendizagem.
A jornada começou às 8h. Durante o caminho no autocarro, conheci uma rapariga da Colombia, que ía a Fátima, conversamos de tudo para lá da conversa de circunstância, que nos levou à conclusão que a vida é melhor sem grandes projectos...
Ao chegar, iniciei a minha caminhada, durante o caminho, ía a lembrar-me que era a primeira vez em 37 anos, que andava por ali sozinha. A sensação foi boa, pude sentir mais a cidade, considero-a como minha. Sou natural de Lisboa, mas, a verdade é que tenho grande carinho por esta cidade. Além de apreciar o que via em meu redor, ía atenta ao porquê de ser considerada uma das cidades com melhor qualidade de vida da Europa. E reuni alguns aspectos, houve outros que me escaparam...mas, os mais visíveis, são flagrantes. Tais como, o civismo de quem anda na rua, nada de correrias. Um grupo de jovens adolescentes, íam a passar, quando numa rua transversal, e por delicadeza pararam para eu passar, porque o caminho era estreito. Houve outra ocasião que um senhor disse com licença por me passar à frente à entrada de um estabelecimento, duas jovens a cantar uma música de coro em plena rua...os carros a pararem sempre que há alguém atravessar e muito importante, só arrancam quando pessoa está no passeio, para terminar, em pleno dia de semana, era como se fosse um domingo em Lisboa, não se sente o stress ali, creio que é sentimento que não faz parte do modo de vida de Viseu.
Fui visitar a minha prima, a qual sou imensamente grata por me ter ajudado perante o assunto que me levou lá e não só, por ser uma pessoa que é tão generosa tão genuinamente querida! Deu-me um abraço tão bom, que me encheu de amor e boas energias!
Em seguida, conheci a residencial, depois, pus-me a caminho mais uma vez rumo à terra do meu pai. Apanhei o autocarro e pela viagem o autocarro ía cheio de miúdos das escolas. Ao chegar a Corvos à Nogueira, percebi que já não era a mesma aldeia de quando eu era criança e adolescente. Estava muito mais envelhecida, apenas 2 crianças tinham saído do autocarro. Houve um suspiro de consternação da minha parte, aquela aldeia, muito dificilmente irá voltar ser o que era.
Visitei a família, o meu coração encheu-se de afecto a todos os que via...mas, no fundo estava triste...a dura realidade estampava-se à minha frente de uma forma implacável e incontornável.
Na manhã seguinte, eram 10h quando sai da Residencial, depois de ter tomado o pequeno almoço. Havia outros rumos a seguir, nem a chuva me demoveu a que eu cumprisse o que intimamente tinha vontade de fazer, ir ao Museu Grão Vasco, seguindo antes pela Rua Direita, a tão mítica rua, considero-a alma de Viseu até chegar ao largo da Sé e do Museu.
Terminando a minha estadia por terras do Viriato, segui rumo a domínios de Inês de Castro e que também terras por onde Camões se inspirou, Coimbra. Tinha pela minha frente, mais uma caminhada longa a fazer desde a terminal do autocarro até à Universidade. E, mais uma vez, segui aquela máxima que diz, o importante é apreciar o caminho até chegar ao destino. E pude de facto fazê-lo, visto nunca ter conhecido Coimbra a pé e sim de carro. Valeu a pena! Indo entre ruas míticas de estudantes, imaginava que desde o século XIII milhares de alunos haviam feito este percurso...a cidade tem uma aura de juventude, de saber de cultura que se respira, que é palpável! O encanto que se refere a música de Coimbra, é verdade, eu pelo menos sinto-o.
Ao chegar à Universidade foi o deleite total, com a visita ao Museu Machado Castro, a partir do seu Criptopórtico do Forum Romano, que segue por vários pisos em cima que contem peças de escultura, pintura, ourivesaria num vasto espaço cronológico de estilos.
Na Universidade, fui finalmente visitar a tão afamada Biblioteca Joanina, que existe desde o reinado de D. João III, representado em estátua no largo da Universidade.
Fui -me embora, despedi-me de Viseu e Coimbra, com a promessa de regressar, pois, há mais para visitar...ficou um gostinho de querer mais, e há muito mais a ver, sentir, viver nestes locais tão especiais!

Até à próxima
 

2 comentários:

Sandra Pita Soares disse...

Gostei bastante. Beijo p ti

Rosa Carioca disse...

Realmente, são lugares maravilhosos.